sábado, 27 de outubro de 2007

É JUSTO MATAR 70 MILHÕES?

Mao Tse-tung, o mais cruel tirano do século XX, discursando em 1958: "Metade da China talvez tenha de morrer"

Decidido a transformar a China na maior potência militar da Terra, no século passado o tirano Mao Tse-tung, líder da revolução chinesa, arrotou certa feita que faria explodir sua bomba atômica, ainda que o último chinês tivesse que morrer de fome. Com parca assistência do seu mais temido vizinho, a União Soviética, Mao atingiu o seu objetivo, sem necessitar matar metade da população, então de 550 milhões de pessoas. Os cálculos mais otimistas, revelados Jung Chang e Jon Halliday, na volumosa biografia "Mao, a história desconhecida", indicam que foram mortos de fome mais 70 milhões de chineses. Pressionados a produzir sempre mais e mais os camponeses viam confiscadas suas colheitas, entregues aos soviéticos, em troca do fornecimento de equipamento militar. Os chineses morriam de fome como moscas e os alimentos enviados para Moscou eram revendidos pelos soviéticos nas suas colônias no Leste Europeu. Os políticos chineses seguem a risca o princípio de que os fins justificam os meios. A atual liderança repete que não importa a cor dos gatos, desde que eles cacem os ratos. Quando os comunistas tomaram o poder na China a sociedade estava desorganizada e a economia vivia no caos. Uma velha amiga sugeriu-me que sem os métodos de Mao jamais os chineses atingiriam a meta de se tornarem a potência dominante no século XXI. Mas será que é justo assassinar tanta gente em nome de um objetivo imperialista? Duvido. Ao longo de 954 páginas a biografia de um Mao muito diferente daquele santo cantado em prosa e verso pelos seus pupilos, os principais deles do PC do B, é uma obra de fôlego da autora de "Cisnes selvagens", onde neste narra a sua vida, de sua mãe e de sua avó sob o autoritarismo mais cruel do século passado. O que se conclui, no mínimo, é que Mao foi muito pior para a humanidade do que Hitler e Stalin. Os chineses não fazem segredo de que o século 19 foi o século da Inglaterra, o século 20, o século dos Estados Unidos e que o século 21 será, até 2050, o século da China. As vitórias recentes em várias batalhas da guerra econômica que move contra o Ocidente explicam porque a atual hierarquia chinesa venera Mao e seu corpo e estátua estão lá na Praça da Paz Celestial, em Pequim, como se fosse um Deus. Em 19 de agosto de 1962 Mao falava a chefes provinciais: "No futuro, montaremos o Comitê de Controle da Terra e faremos um plano uniforme para a Terra". Esse futuro está cada vez mais próximo. A menos que a humanidade erradique os herdeiros de Mao como foram erradicados Hitler e Stalin no século passado.

Um comentário:

Juracy Paixão disse...

Não há como se deixar de repudiar as tais matanças oriundas do período Mao, aquele da "carteirinha vermelha". Contudo, numa sociedade isolada como a China de então, é duvidoso que os números citados pelos atuais biógrafos de Mao sejam verdadeiros. Em contrapartida, o que se fala das matanças de indígenas nos EUA e México, em nome do "progresso"? O que se comenta das milhões de mortes de indianos executados pelos colonialistas ingleses? O que se esclarece sobre a matança indiscriminada e perene de africanos, em nome do capitalismo moderno? Nada se diz das milhares de mortes de chineses praticadas pelo Japão, no curso da Segunda Guerra.

Parece, para os ditos historiadores modernos, que matança somente é condenavel quando praticada por ditos líderes da velha esquerda.

Juracy Paixão