Entenda porque uma reportagem nada fenomenal, O Livreiro de Cabul, vendeu três mihões de exemplares em 30 idiomas, inclusive Português.
Aos 23 anos de idade a norueguesa Asne Seierstad era correspondente de guerra na Chechênia e não parou por ali. Cobriu Kosovo, Iraque e Afeganistão. Em Cabul ficou três meses na casa de uma família afegã para escrever sobre o dia a dia de um grupo fragilizado por sucessivas guerras e fanatismos. O Livreiro de Cabul pouco ou nada acrescenta ao que se sabe no Ocidente sobre o atraso a que as religiões submetem a humanidade em qualquer lugar. Seierstad não aprofunda o tema a tal ponto, mas denuncia, mais uma vez, a condição de "coisa", de submissão ao macho, de humilhação e sofrimento da mulher em boa parte dos países do Oriente. A curiosidade despertada no Ocidente depois que Bush-CIA-Arábia Saudita inventaram Osama Bin Laden explica em parte o sucesso da reportagem de Seierstad. Mas outro fator para seu livro virar um best-seller está na comparação a que leitores e principalmente leitoras são levadas a fazer entre a situção social e econômica da mulher, aqui no Ocidente e no lado de lá. Colocando pseudônimos nas pessoas com quem conviveu para evitar constrangimentos, Asne tornou-se objeto de tremenda inveja do livreiro de Cabul que se identificou, viajou para o Ocidente a fim extorquir dinheiro da jornalista e no final de contas publicou um panfleto recheado de ódio sob o título: "Eu sou o livreiro de Cabul". Confirmando o que já se sabe no Ocidente sobre a situação da mulher no inferno muçulmano, O Livreiro de Cabul nada tem de especial. O livrinho de Shas Mohammed Rais, consegue ser pior.
sábado, 3 de novembro de 2007
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