quinta-feira, 15 de novembro de 2007

REPÚBLICA DE ESCRAVOS

Darwin, o magistral autor de "Origem das Espécies", esqueceu seu ateísmo ao passar pelo Brasil e rogou a Deus nunca mais visitar um país de escravos.

Durante o Império, os escravos, no Brasil, pelo menos tinham direito a um teto, a senzala e a comida. A abolição da escravidão produziu uma legião de desocupados e muitos escravos lutaram para continuar sob a guarida de seus senhores.
A Proclamação da República, 118 anos passados, em lugar de significar a ascensão social das camadas mais pobres da população, empurrou-as para a baixa renda ou renda nenhuma.
Em suma: enquanto no Brasil Colônia e no Império a escravidão penalizava os negros, agora ela se espalhou por milhões de brasileiros, cuja renda é insignificante a ponto de não resolver o problema de moradia ou alimentação mínima.
Milhares de prefeituras no Norte e Nordeste do Brasil pagam meio-salário mínimo a seus funcionários. No Piauí a renda per capita é inferior a R$1(um real) por dia.
Centenas de crianças são escravizadas nos canaviais de Pernambuco, levadas para a colheita da cana por seus pais e alegremente aceitas pelos senhores dos novos escravos.
No Centro-Oeste há trabalho escravo e os fiscais do Ministério do Trabalho que cobram propina para não denunciar os escravocratas ou se recusam a receber suborno, são mortos sem que tais crimes sejam apurados e os culpados punidos.
Em um país de paradoxos sua História contém hilariantes contradições. D. Pedro II era republicano, gostaria de ser presidente ou ministro. O seu protegido, marechal Deodoro da Fonseca era monarquista mas proclamou a República. Dá para entender? Dá sim, é aquilo que Darcy Ribeiro repete em "O povo brasileiro": é preciso mudar para tudo continuar como antes.
Para as classes sociais dominantes tanto fez Monarquia quanto faz República. Só os descamisados viram mudança: para pior.

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